A Fome Dói e Mata, Distroi a Dignidade da Condição Humana - Afirma Dr. Hélder Muteia Versão para impressão

cplp muteiaSegundo Muteia, cerca de 842 milhões de pessoas passam fome no mundo, o que significa que uma em cada oito pessoas encontra-se em situação de fome crónica, sem acesso a alimentos suficientes para ter uma vida saudável e activa. Além disso, uma em cada quatro crianças com menos de cinco anos tem baixa estatura para a sua idade. 165 milhões de crianças estão desnutridas que nunca atingirão todo o seu potencial físico e intelectual. Ao mesmo tempo, cerca de 2 bilhões de pessoas não dispõem das vitaminas e minerais essenciais para uma vida saudável.

 

Referiu ainda, que a fome também divide as pessoas e as nações, tendo sublinhado que apesar dos progressos alcançados a nível mundial no combate à fome, persistem ainda diferenças signifcplp 65icativas entre regiões do mundo. 98% das vítimas da fome encontram-se nos países em vias de desenvolvimento, sendo a África Subsariana e do Sul da Ásia as mais afectadas. No caso de África Subsariana o drama é ainda mais desolador: Uma em cada quatro pessoas está encurralada no ciclo vicioso de pobreza absoluta e desnutrição crónica.

No entanto, os recursos que serão angariados nesta campanha servirão para complementar os esforços dos Governos, dos seus parceiros, do sector privado e da sociedade civil em geral, no apoio aos camponeses a cultivarem as suas terras, dotando-os de tecnologias, crédito agrícola e mercados favoráveis, gerando não só mais disponibilidade de alimentos, mas também melhores oportunidades de emprego, auto emprego e outras formas de rendimento.

Realçou ainda que neste ano que foi definido como "Ano da Agricultura Familiar", é imperioso que esta iniciativa ajude a criar uma oportunidade, uma luz do túnel para os agricultores em regime familiar. Paradoxalmente, dos 80% de pessoas que passam fome em África, são agricultores e praticam uma agricultura rudimentar que não permite sequer alimentar condignamente as suas famílias. Apoiando essas pessoas o programa estará a resolver 2 problemas ao mesmo tempo: o da disponibilidade dos alimentos e o da pobreza dos próprios agricultores.

Para destacar algumas experiências de sucesso, o representante da FAO junto da CPLP, referiu aos resultados alcançados pelo Brasil através de políticas públicas específicas, como também os casos de Angola e São Tomé e Principe, que foram recentemente distinguidos pela FAO pelos avanços relativamente ao primeiro objectivo do milénio como também o registo de melhorias significativas na segurança alimentar nos últimos 10 anos em Cabo Verde, Timor Leste e Moçambique.

A terminar, o Representante da FAO junto a CPLP, Hélder Muteia referiu que no quadro das promessas feitas pelo Director Geral da FAO o Sr. José Graziano da Silva, na Cimeira de Maputo, está em processo final de aprovação, um projecto no valor de 500 mil dólares, que deverá entrar em vigor na primeira semana do mês de Março de 2014